Ser empreendedor é um ato de coragem? Talvez. Mas o quanto você contribui transformando esse discurso em “heroísmo” e fazendo com que outras pessoas fiquem pensando se realmente são capazes ou não?

Quem entra para o mundo do empreendedorismo ou do marketing vai sempre ouvir e ler a importância de calcular o ROI (Return on Investment) do seu negócio, da campanha publicitária, da ação e afins. Quando alguém começa a pensar em ser empreendedor, logo vêm esses termos para dar aquele susto. Mas antes fosse só isso. Quem nunca ouviu de alguém ou viu um post nas redes sociais dizendo que empreender é: “Não ter salário fixo, não ter hora para começar ou nem acabar o expediente, viver todos os dias sob pressão, pagar muitos impostos, ouvir de todos que você está louco e blá blá blá.”.

Quem ainda tem essa visão, sugiro que passe no SEBRAE mais próximo ou peça ajuda do seu contador, porque deve estar um pouco perdido no direcionamento do seu negócio e precisa de orientação capacitada. Esse tipo de frase de efeito não é verdade e jamais deve ser encarada assim. Afinal, abrir um negócio ou mudar o rumo da sua carreira é um ato nobre. As vezes o outro pode até não entender os seus motivos, porque está analisando isso da perspectiva dele. Isso não faz dele um “desencorajador”, apenas alguém que não entendeu o que você planeja. Contudo, quanto mais pessoas estiverem dispostas a dar apoio, encorajar e compartilhar conhecimento, melhor vai ser para todos.

Mas o que seria o outro ROI? Calcular o ROI, mas no caso o Return on Inspiration (termo criado por mim) é a capacidade que você empreendedor, ou o seu negócio, tem de inspirar outras pessoas a começarem (pelo menos a planejar) os negócios delas. Ou então ajudá-las a encontrarem o propósito da vida e da carreira delas e isso não precisa acontecer necessariamente fora do lugar que elas trabalham hoje.

A melhor definição sobre o ato de empreender que já ouvi, vem de um amigo (Filipe Barbosa). Ele define como empreendedor alguém que encontrou a interseção entre a sua paixão, o talento, com a solução da necessidade de outras pessoas. Sendo assim, não acredito muito nisso de que é preciso ter “perfil empreendedor” e que nem todos tenham. Cada um, a seu modo, tem suas paixões e talentos, mesmo que ainda não manifestadas. O que falta é equacionar isso com uma necessidade das pessoas e transformar num modelo de negócio. E tudo relacionado às competências e habilidades de um empreendedor podem ser aprendidas. Assim como a criatividade já foi desmistificada e ninguém tem dúvida de que podemos aprender a sermos criativos, todos podemos aprender a gerenciar, mesmo que basicamente, o negócio de nossas vidas. Porque quando você é apaixonado, é mais fácil se dedicar. Então, mete a cara que vai dar certo!

É muito melhor que quem já obteve sucesso nessa jornada procure formas de fazer com que os outros aprendam a lidar com as situações adversas ou com os desafio dos primeiros meses. O sucesso não pode estar medido apenas no que você faz, tem que estar dentro do seu propósito o que você ou o seu negócio leva outras pessoas a fazerem. Compartilhar conhecimento de uma maneira didática e acessível pode ajudar a transformar a nossa realidade econômica. Por isso, nos próximos planejamentos, o que acha de colocar em pauta calcular esse novo ROI? Esse retorno não é um indicador monetário. Significa mais gratidão sendo partilhada e, consequentemente, mais pessoas produzindo dinheiro. Você teve a sua chance de aprender a fazer um negócio, dê essa chance a outras pessoas. Encoraje-as!